
Manchas brancas, às vezes em forma de crosta ou de pequenas “estalactites”, aparecendo no teto da garagem, embaixo da laje ou na parede. Esse fenômeno tem nome: eflorescência. Ele é comum, fácil de reconhecer e, muitas vezes, tratado como problema só de aparência. Mas a mancha é o sinal visível de algo que está acontecendo dentro do material.
O que é eflorescência
Eflorescência é o depósito de sais na superfície de concretos, argamassas e alvenarias. A água que atravessa o material dissolve compostos presentes no cimento, principalmente o hidróxido de cálcio, e os carrega até a superfície. Quando a água evapora, os sais ficam ali e reagem com o gás carbônico do ar, formando o carbonato de cálcio: o pó ou a crosta branca que você vê.
Para a eflorescência acontecer, três coisas precisam existir ao mesmo tempo: sais solúveis no material, água circulando por ele e um caminho para essa água chegar à superfície. Tire a água, e a eflorescência para.
Eflorescência é grave?
A mancha em si não compromete a estrutura. O problema é o que ela revela: há água atravessando o concreto. Em lajes, isso quase sempre significa falha de impermeabilização, fissuras ou juntas abertas. E a água que passa continuamente pelo concreto:
- lava os compostos que protegem o aço, deixando o concreto mais poroso;
- chega às armaduras e inicia a corrosão;
- acelera a desagregação do concreto, com perda de material e de resistência.
Eflorescência acompanhada de manchas de ferrugem, fissuras paralelas às barras ou concreto se soltando é sinal de que o problema já chegou à estrutura e precisa de avaliação de engenheiro.
Onde ela costuma aparecer
- Teto de garagens e subsolos, sob jardins e áreas externas;
- Fundo de lajes de cobertura, terraços e reservatórios;
- Muros de arrimo e cortinas de contenção;
- Fachadas de tijolo aparente e rejuntes de revestimento.
Como resolver de vez
Escovar ou lavar a mancha remove o sintoma, mas ela volta enquanto a água continuar passando. A solução definitiva segue uma ordem:
- Encontrar a origem da água: impermeabilização danificada, ralos, juntas, fissuras. A termografia ajuda a localizar sem quebrar;
- Eliminar a entrada de água com a impermeabilização ou o tratamento adequado, comprovado por teste de estanqueidade;
- Avaliar a estrutura, verificando se as armaduras já foram atingidas;
- Recuperar o concreto danificado e só então limpar e proteger a superfície.
Caso real: no Condomínio Paul Klee, em São Carlos, a eflorescência no fundo da laje era o sinal de uma infiltração antiga que já havia corroído as armaduras e deformado a laje. A solução exigiu recuperação estrutural completa e nova impermeabilização.
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