
Pedaços de concreto caindo do teto, manchas de ferrugem e o ferro da laje aparecendo. Esse quadro, muito comum em garagens, marquises e lajes antigas, tem um nome técnico: corrosão de armaduras. É uma das patologias mais sérias do concreto armado, e também uma das mais maltratadas em reparos improvisados.
Por que a ferragem aparece
O aço dentro do concreto fica protegido enquanto o concreto ao redor mantém um ambiente alcalino. Essa proteção se perde quando:
- o cobrimento (a camada de concreto sobre o aço) é muito fino;
- o concreto sofre carbonatação, reação com o gás carbônico do ar que reduz a alcalinidade;
- há umidade constante, por infiltração ou vazamento;
- o ambiente tem agentes agressivos, como cloretos ou produtos químicos.
Com a proteção perdida e a presença de água e oxigênio, o aço enferruja. A ferrugem ocupa um volume várias vezes maior que o do aço original, empurra o concreto de dentro para fora e o rompe. É por isso que o concreto “estufa” e se solta.
Quais são os riscos
- Perda de seção do aço: a barra fica mais fina e suporta menos carga;
- Perda de aderência entre aço e concreto, que precisam trabalhar juntos;
- Queda de pedaços de concreto sobre pessoas e carros;
- Deformação da laje ou da viga, em casos avançados.
Sinais de alerta
- Manchas de ferrugem escorrendo pelo concreto;
- Fissuras retas acompanhando a direção das barras;
- Concreto estufado ou com som oco ao ser batido;
- Eflorescência (manchas brancas) junto com ferrugem.
O que não fazer
Pintar a ferrugem e cobrir com massa comum. O concreto contaminado continua ao redor do aço, a umidade continua chegando e a corrosão segue por baixo do remendo, que logo se solta de novo.
O jeito certo de recuperar
- Diagnóstico: extensão do problema, ensaios de carbonatação, pacometria e potencial de corrosão;
- Escoramento quando a capacidade da peça estiver comprometida;
- Remoção do concreto deteriorado até o concreto são, liberando as barras inclusive por trás;
- Limpeza e tratamento das armaduras, com avaliação da perda de seção e complementação das barras quando necessário;
- Reconstituição da peça com argamassa ou graute estrutural;
- Eliminação da causa, quase sempre com impermeabilização, e proteção da superfície.
Caso real: no Condomínio Paul Klee, em São Carlos, a infiltração antiga corroeu as armaduras e a laje começou a ceder. A recuperação incluiu escoramento, tratamento das armaduras, reconstituição das vigas e da laje e nova impermeabilização com teste de estanqueidade.
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